SOU O ANTES E O AGORA, de Alan Soares Furtado e Silva

SOU O ANTES E O AGORA

02.09.2020

Alan Soares Furtado e Silva


Na partida, viestes sem encanto

Viestes da terra, da labuta

Do cabo da enxada...

Surgiste aqui, cultura rural


Do alimento retirado do chão

Até a boca dos belemitas

Dos cantos e encantos

Para ser a terra dos grandes artistas


A alegria do povo, 

A energia da alma

De uma gente animada e alegre, gritando Carnaval

Brincando com seus grandes bonecos,

Zé Pereira e Vitalina, você não vê nada igual!


Das pedras no caminho, Água a nos banhar;

No rio São Francisco, Tantas histórias pra contar!

No porto, 

O corre-corre dos  caminhões para as cebolas carregar.

É cebola, é manga... Agricultura para se orgulhar.


Da cultura da feira da farinha

De um povo cheio de fé

Dos movimentos artísticos

Vou passeando por aí, a pé.


O tempo foi se passando,

Algumas coisas foram se acabando...

Alguns até dizem que foi se morrendo

E, no fim, a foice cortando.


O que houve?

O que aconteceu?

Quem sabe? Quem diz?

O pão que estava aqui, quem comeu?


Onde está você, minha Belém?

O que fizeram com você?

Te vejo tão diferente, tão triste...

Porque parou de crescer?


Tão cheia de tudo e tanto a prosperar

Te vejo tão abatida e pálida!

Oh! Nossa Senhora do Patrocínio

Tenha de Piedade, é a ti que vou clamar.


A linha que subia, agora é a linha que desce,

O difícil antes era fácil, agora o fácil é impossível.

O povo vê , o povo sabe

Mas uma mão estendida tudo fica invisível.


Veja, o antes e o depois!

O que tinha e o que não tem mais.

O que poderia ter e pra eles tanto faz.

Assim Belém ficou no meio termo, do carrasco e seu capataz.


O olho que tudo vê

Nem sempre é a boca que tudo fala.

De tantas falas bonitas ao olhar do ego

É a ignorância do povo que na garganta entala.


Dos frutos da terra já não se tem quase nada.

Da arte pelas ruas agora em uma caixa fechada.

É pau, é pedra. Será o fim do caminho?

Onde está nossos sonhos, o nosso destino?


Veja bem, não me queira mal!

Estou aqui há mais tempo do que possa imaginar.

Sei dos frutos que aqui poderia dar

Sei que aqui tudo poderia prosperar.


Sou o chão ardente, a terra rachada

Sou o olho que tudo vê, a boca que tudo fala

Sou o vento seco, que vem e que passa

Sou o tudo, sou o nada.


E quem sou eu?

Sou aquela que no início estava

Sim, talvez esquecida na beira da calçada

Sou dona Cana, que muitos dizem, Brava!

Comentários

Postar um comentário